terça-feira, 26 de maio de 2015

Estranhamente confortável

Ah! Como ela queria que tudo estivesse em seu devido lugar. Como desejava que a vida fosse somente flores, brisa suave e sorrisos.
Lutava para que tudo ficasse perfeito e que a casa estivesse limpa e sempre cheia de amigos.
Ela se agarrou desesperadamente à linha tênue que separa o lado bom do lado desastroso e até funcionou por um tempo.
Ela teve a falsa sensação de que tudo estava sob controle e que tudo ia ficar bem para sempre. Mas bastou nada mais que um segundo, um único segundo, para que tudo mudasse. Para que seu mundo desabasse, e nessa jornada chamada vida ela se perdeu. 
Teve seu coração partido de tantas formas, que pareceu que nunca mais poderia tê-lo inteiro novamente. 
Se perdeu tão profundamente, que ao olhar para o espelho já não se reconhecia mais. Não reconhecia seus ideais, seus amigos, os motivos pelos quais um dia valeu a pena lutar, seus sonhos. Simplesmente não sabia mais quem ela era. Uma total estranha naquele espelho.
Tudo o que restava eram lembranças e fantasmas que a assombrava todas as noites, e como uma criança assustada, ela chorava baixinho. Ainda assim, todas as manhãs ela tinha o mais belo sorriso estampado em seu rosto e sempre repetia para os que a sua volta estavam: "Tudo vai ficar bem. A vida é bela! Não desista! Uma hora tudo melhora" Não se sabe se para motivá-los ou para se auto-convencer de que valeria a pena tudo aquilo que não fazia sentido algum. 
E dia após dia, olhando para o espelho ela dizia:" tudo vai ficar bem!'
Com o tempo ela aprendeu a acreditar nisso de que para ver o arco-íris  é necessário passar pela tempestade.
Hoje, ela se sente em casa, não por ter encontrado um lugar específico, mas porque se sente bem na pele dela. Descobriu que precisava se perder para descobrir quem realmente é. Para descobrir a força que tem dentro dela e que a vida vale a pena. Pode aprender que as coisas mais simples tornam a vida mais bela, leve e feliz.
Entendeu que as tempestades deixam cicatrizes, mas acima de tudo, mostram vencedores. E por isso passou a amar cada cicatriz que representava uma tempestade vencida. 
Pela primeira vez em muito tempo, ela olhou para o espelho e gostou do que viu. Não por ser perfeita, mas por entender que cada defeito fazia parte dela e a junção deles com suas qualidades a tornavam única.
Ela aprendeu a apreciar um dia de sol respirando o mais fundo possível e sorrindo, antes que surgisse uma nova tempestade, pois elas fazem parte e viver é isso: Arriscar! Viver cada momento! Se deixar quebrar e se reconstruir! Mas jamais deixar de dançar! (E)

Nenhum comentário:

Postar um comentário